O governador Carlos Brandão iniciou, nesta quarta-feira (14), uma agenda de reuniões com prefeitos da Região Tocantina, em Imperatriz, no sul do Maranhão. A ação integra o gabinete itinerante montado na sede da Agemsul e tem como objetivo ouvir demandas municipais e acelerar obras e projetos estruturantes.
No primeiro dia, participaram prefeitos de Davinópolis, São João do Paraíso, Amarante, Cidelândia, Buritirana e Imperatriz. Nesta quinta-feira (15), a agenda segue com gestores de Porto Franco, Montes Altos, Estreito e Itinga. Brandão destacou que a ação valoriza a Região Tocantina, tratada simbolicamente como “segunda capital” do Maranhão.
Prefeitos elogiaram a iniciativa e a postura acolhedora do governador. Marcos Vinícius, de São João do Paraíso, e Eustáquio Sampaio, de Cidelândia, destacaram a agilidade no atendimento às demandas.
A visita incluiu também vistoria nas obras do Hospital da Região Tocantina, que contará com 150 leitos, e a inauguração da reforma do Posto de Saúde do bairro Camaçari. Brandão reafirmou que 2025 será “o ano das entregas”, consolidando o trabalho iniciado nos anos anteriores.
Em entrevista ao jornal O Imparcial, o ex-governador José Reinaldo Tavares, atual secretário de Projetos Especiais do Maranhão, confirmou o que já era especulado nos bastidores: o rompimento definitivo entre o ministro do STF, Flávio Dino, e o governador Carlos Brandão (PSB). Segundo ele, “não há retorno” na relação entre os dois, selando a implosão da aliança formada em 2015.
O distanciamento ganhou força após Brandão sinalizar que pretende lançar o sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como seu sucessor em 2026, excluindo o vice-governador Felipe Camarão (PT), que antes era o nome natural para a sucessão. A movimentação de Orleans, que tem marcado presença em eventos oficiais e recebido apoio de prefeitos aliados, evidencia a estratégia do atual governador.
A declaração de Zé Reinaldo reforça que o apoio do Palácio dos Leões à candidatura de Camarão está comprometido. Com o rompimento entre Brandão e Dino, o cenário para 2026 ganha um novo contorno, afastando a possibilidade de Camarão assumir o governo em abril para concorrer à reeleição
Esquema pode ter desviado mais de R$ 1 milhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC)
São Luís (MA) – A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (14), a Operação Malversador, com o objetivo de desmantelar um suposto esquema de candidaturas fictícias utilizado para desviar recursos públicos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). A investigação teve início a partir de uma denúncia sobre fraudes nas eleições municipais de 2024.
Segundo a PF, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. As apurações indicam o uso de documentos ideologicamente falsos, contratos fictícios e empresas de fachada para movimentar o dinheiro público de forma ilícita.
Um dos casos mais emblemáticos envolve uma candidata a vereadora pelo partido Podemos, apontada como “laranja”. Ela teria recebido R$ 300 mil do fundo eleitoral, mas obteve apenas 18 votos nas urnas, o que representa um custo médio de R$ 16.666,67 por voto. A desproporcionalidade reforça as suspeitas de que a candidatura teria sido criada apenas para simular o cumprimento da cota de gênero e viabilizar o desvio de recursos.
Durante a operação, a PF encontrou notas fiscais superfaturadas e material de campanha supostamente fraudado, como mais de 1 milhão de santinhos, 50 mil bottons e 300 adesivos perfurados vinculados à candidata apontada como fictícia. O material seria parte do esquema para justificar os gastos eleitorais fraudulentos.
De acordo com as investigações, pessoas físicas e jurídicas receberam mais de R$ 1 milhão em repasses irregulares, e há indícios de lavagem de dinheiro por meio de empresas “fantasma”, criadas com o propósito de ocultar o destino dos valores desviados.
A Justiça Eleitoral determinou, além das buscas, a suspensão de qualquer função partidária do principal investigado e autorizou o compartilhamento de provas com Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs), o que pode resultar na cassação de mandatos de vereadores eleitos em São Luís/MA.
Os crimes investigados incluem:
Organização criminosa
Falsidade ideológica eleitoral
Uso de documento falso
Peculato eleitoral
Lavagem de dinheiro
A Polícia Federal segue com as investigações, e novas fases da operação não estão descartadas.